7/28/2026

Poema

 Mais um poema de minha autoria: 


"Soneto para a Última Criança


Quando o silêncio herdou corredores frios,

e o ferro aprendeu o idioma do temor,

uma pequena sombra, entre destroços e vazios,

fez do instinto um abrigo contra o horror.


Não foi o grito a guardiã de seus dias,

nem o acaso lhe ensinou a respirar;

colheu dos ecos discretas geometrias

para escapar do que sabia farejar.


Então surgiu quem carregava antigas perdas,

com mãos marcadas por ausências sem perdão;

e, entre fumaça, aço e portas entreabertas,


nasceu um laço mais profundo que o sangue. Em vão

tentou a noite negar essas duas vidas:

uma chamou por mãe; outra venceu feridas."

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