Mais um poema de minha autoria:
"Soneto para a Última Criança
Quando o silêncio herdou corredores frios,
e o ferro aprendeu o idioma do temor,
uma pequena sombra, entre destroços e vazios,
fez do instinto um abrigo contra o horror.
Não foi o grito a guardiã de seus dias,
nem o acaso lhe ensinou a respirar;
colheu dos ecos discretas geometrias
para escapar do que sabia farejar.
Então surgiu quem carregava antigas perdas,
com mãos marcadas por ausências sem perdão;
e, entre fumaça, aço e portas entreabertas,
nasceu um laço mais profundo que o sangue. Em vão
tentou a noite negar essas duas vidas:
uma chamou por mãe; outra venceu feridas."
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