Mais um poema de minha autoria:
"Além das Estrelas e do Tempo
Há um relógio adormecido no peito do mundo,
e o tempo se curva no espaço sem fim;
viajo por galáxias, atravesso o escuro,
mas nenhuma distância te afasta de mim.
Se os anos se dobram nas mãos do destino,
se um astro se apaga na imensidão,
procuro teu rosto no céu peregrino,
como quem busca o lar dentro do coração.
E a noite tem passos de dança nas ruas,
dois corpos flutuando sob luzes de verão;
a cidade adormece, as estrelas são tuas,
e o mundo se esquece de toda separação.
Há guitarras bordando canções delicadas,
há um beijo suspenso entre o sonho e o mar;
e as almas, por instantes, parecem aladas,
como se amar fosse aprender a voar.
Há também um jardim de espelhos e sombras,
uma antiga beleza que o tempo não desfaz;
certas imagens florescem nas horas mais longas,
como versos guardados num livro de paz.
Mas nem toda beleza revela o caminho,
nem todo desejo conhece o amor;
há flores que pedem cuidado e carinho,
há sonhos que crescem sem grades, sem dor.
Pois amar é mais que vencer o infinito,
mais que dobrar as leis da relatividade:
é ouvir o silêncio, acolher o indizível,
é oferecer ternura sem pedir liberdade.
É saber que duas almas podem ser inteiras
sem que uma pertença à outra por querer;
como estrelas que brilham em suas esferas,
mas encontram no céu uma razão para arder.
E se um dia as estrelas silenciarem,
se o tempo adormecer nossa última canção,
que as ondas do cosmos ainda carreguem
teu nome guardado na minha canção.
Porque somos poeira, memória e mistério,
breves viajantes num céu sem final;
e talvez o amor seja o nosso segredo,
a ponte invisível entre o sonho e o real.
Se o Universo é vasto demais para entendermos,
se a vida é um sopro entre o ser e o partir,
que nos baste este instante em que nos reconhecemos:
amar sem possuir, permanecer sem exigir.
E além das galáxias, dos séculos, do tempo,
onde a luz se demora antes de desaparecer,
que o amor siga manso, livre como o vento,
pois há eternidades que começam no querer."