Mais um poema de minha autoria:
"Fragmentos de sonhos
Ela passa
e o mundo se curva,
feito verso que encontra rima
feito mar que aceita a lua.
Seu passo não pisa —
semeia.
Onde havia pedra,
nasce primavera.
Onde havia pressa,
o tempo espera.
Ela passa
e o chão aprende a sonhar,
as ruas se vestem de céu,
os muros desaprendem a calar.
Seu sorriso é um clarão tardio,
sol que insiste em amanhecer,
é promessa escrita no vento
para quem já cansou de crer.
Quando ela olha,
o nada se assusta,
vira campo,
vira canto,
vira ponte,
vira música.
Seu riso rima com esperança,
seu silêncio conversa com o impossível,
seu gesto transforma ausência
em algo inteiro, vivo e visível.
Tudo muda por causa dela:
as leis do acaso,
o peso do dia,
a lógica fria da espera.
Novos nomes para o desejo,
novas formas de ficar,
novas palavras para o amor
que ainda não ousou falar.
Ela passa
e o mundo entende —
não se trata de beleza,
mas de sentido.
Ela não ocupa espaço,
ela cria.
Não pede passagem,
ela guia.
E quando vai embora,
fica.
Em cada fragmento de sonho
que aprendeu a rimar
com a vida."