3/06/2026

Poema

 Mais um poema de minha autoria: 


"Numa Tarde de Domingo


A vida escorrega

No sabão

No descuido


Tão frágil


O chão não perdoa

O corpo aprende


O sangue corre

Rápido

Vivo

Vermelho demais para um domingo


Desce pelo ralo

levando junto a tarde


A carne se parte

Abre-se

Revela o que há no interior


Nada volta inteiro

Nunca


Há um antes

e um depois

E, entre eles,

o estalo


Somos brisa

Somos quase

Somos queda contida


Vivemos por pouco

Por centímetros

Por um segundo distraído


Tão perto

Sempre tão perto

do fim."

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